17 de dezembro de 2006

TEATRO DE PALAVRAS

MALLARMÉ, OCTAVIO PAZ E FERNANDO PESSOA
UM ESTUDO DE MARIA ESTHER MACIEL

CONTRIBUIÇÃO ENVIADA POR LIANA

PARA O CONTRAPONTO ANEXOS
LINK COM O TEXTO NA ÍNTEGRA

13 de dezembro de 2006

Contraponto

Ateliê

“A discussão de Sergio Fingermann versou hoje sobre “O olhar do outro”- que se faz e se constrói, sendo sempre na ilusão que este olhar se fixa , e opera encantamentos, na emergência de uma temporalidade aprisionada.
O humano é o instante que se faz nesse “ver”, sempre um ver de outra forma.

Todo artista opera com o esquecimento, dando a espessura de alma, de memória recuperada neste gesto, neste olhar distraído que possibilita o instante que se faz ver. Tecendo o tempo na sua temporalidade desarmada. Um olhar armado não vê.

‘Todo artista deve fazer a escolha própria, como no caso do uso da cor, fazer a sua própria cor, na volta do uso da paleta, criar sua própria variação, descobrir-se nessa possibilidade de misturas e tons.”

“Utilizar o afastamento, deixar a pintura falar, ver aquilo que foi intencional ou não, se esta cooperando com o espírito. Acordar com o espírito, não ser apenas um mero fazedor, mas diretor.”

Como sugestões de leituras, Sergio indicou “O Gattopardo”, romance de Tomasi di Lampedusa, encontrado na editora Record, tema que foi filmado por Luchino Visconti (tambem em DVD).





Outras sugestões:

Proust, e Dino Buzzati no romance “ O deserto dos Tártaros”;
ambos reverberam sobre o tempo, leitura obrigatória para as férias.

Outro ponto da discussão foi o Artigo de Arnaldo Jabor (12/12/06):
JGS

10 de dezembro de 2006

POEMA















Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras

Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria

não dum e doudro lado da luz
mas no próprio seio dela

Intensamente amantes
loucamente amadas

E espalham pelo chão braços de luz
cinzenta
que se introduzem pelo bico nos
olhos do homem

Por outro lado
a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como os amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca.

Mario Cesariny (1923-2006)

[in Pena Capital, Assírio & Alvim, 3ª edição,2004]

5 de dezembro de 2006

Poesia : Sophia de Mello Breyner Andresen


Poema de geometria e de silêncio
Ângulos agudos e lisos
Entre duas linhas vive o branco.



Aquarela: Jugioli

27 de novembro de 2006

Contraponto Anexos - Robert Bresson entrevistas

O autor , em entrevista, comenta sobre o filme de 1966,
A grande Testemunha, veja o vídeo no
link do Contraponto Anexos


25 de novembro de 2006

Picasso

Serviços Mínimos

Curvas de poesia

Erótica e feliz

19 de novembro de 2006

Cosmos Montagem : Jeron em Obras

News

Anexando trabalhos recentes no contraponto clicks

acesse e click com o mousse para ativar o controle.

16 de novembro de 2006

11 de novembro de 2006

ESCREVENDO SOBRE ARTE (NEWS LINKS)


Ata-contraponto

No link escrevendo sobre arte, Blog do Paulo, há edições e comentários, sobre Ferreira Gullar , que foi tema da discussão do ateliê no dia 8 de novembro. Não deixem de ler "Idade do Óbvio", no contraponto anexos.

10 de novembro de 2006

A luz na sombra













Rembrandt - negra deitada (1847)

Dicas de exposição:
A gravura desde o séc.15
na mostra do Centro Cultural
Banco do Brasil, que nos permitem
ver o percurso da história da arte
gráfica

8 de novembro de 2006

Poesia Manoel de Barros


Contribuição de Liana

Leia na íntegra

no link Contraponto Antologias

Exposição Centro Cultural Banco do Brasil


Exposição que se organiza a partir da produção de sete artistas cuja obra tornou-se referencial para muitas gerações de gravadores. Não deixem de ver: Dürer, Callot, Rembrandt, Piranesi, Goya, Picasso e Morandi. Há ainda artistas brasileiros: *****

Veja outras fotos no contrapontoclicks .

3 de novembro de 2006

31 de outubro de 2006

Oficina

Ata-contraponto

Projeto poético – diário

Sergio Fingerman em suas orientações expõe :" não se deve pintar o tema, “mas deixar o pictórico acontecer. A narração como travessia: estar no lugar e não na coisa contada, assim como na pintura. Deixar o tempo acumulado, o caminho, o percurso, na coerência e compreensão do que a imagem é. A relação desta imagem com a experiência, solicitando um olhar arqueológico, refazendo o processo neste acúmulo de experiências. A narrativa “não linear”, mas no seu devir”.

“Ser imagem” – aquilo que não se mostra. A partir da experiência da sombra, há à ficção, pois é na ilusão que se constrói o teatro. E como teatro ilude, no enunciado subtraído, o tempo que é outro – devemos desconfiar do tema. O tema é artifício”.

“É na ação do tempo que surge a ilusão, a experiência”.

“Entre a pintura e o expectador – o artista deve produzir deslocamentos”.

“A pintura como processo e não como artifício”. Ficar atento ao encantamento que produz o fazer – desejo que embaça o olhar. Vivenciar o fracasso – todo obra é esta travessia, no acúmulo de trajetórias”.

28 de outubro de 2006

27 de outubro de 2006

Projeto poético

25.10.06

Comentários sobre o projeto poético:
Sobre o papel branco que contém o azul do céu-
o olhar oblíquo
o olhar distraído
que capta e opera plasticidades, desarmado, experimenta o conhecido como se fosse novo, investiga o que vê a partir apenas da experiência, transforma essa experiência em descobertas de novas plasticidades que possam incorporar estes atributos.
Compartilhar este olhar primeiro, anterior, destituído da palavra numa busca calada, incessante, necessária do humano, na subjetividade que discorre e escorre num tempo lento, sem direção ou com infinitas direções, na contramão do ordinário, criando, desfazendo, refazendo a partir da inquietude, da impossibilidade e de constantes fracassos.
Espelho de nossas imperfeições, de nossa pequena estatura, de nossa poesia.
Projeto poético que se faz no encontro com a plasticidade, na organicidade do desejo.
Inclue a concentração e a solenização do impacto do que está na realidade - naquilo que se pinta ou se representa - o acontecimento plástico se faz nesta inserção.
Olhar desarmado - percebe a contingência do azul no papel
oferece uma experiência para o outro.

20 de outubro de 2006

Concertos


O grupo do Ateliê esteve presente no concerto de Bach por ILYA GRINGOLTS- Violino
em 19.10.2006.
Nascido em 1982 em São Petersburgo, Russia, e dono de extraordinário dom musical, Ilya Grincolts nos presenteou com uma bellissíma interpretação das sonatas e partituras de Bach, e com muita sensibilidade desenvolveu seu discurso melódico.

Exposição Pinacoteca

18/10/2006

Exposição de Luise Weiss e Feres Khoury
Vestígios e reminiscências

O negro, a memória e o tempo, presença decisiva em ambos os trabalhos. O negro traz a luz nas diferentes técnicas, em Luise nas xilogravuras e litografias e, em Feres, nas gravuras de metal.

19 de outubro de 2006

Exposição Pinacoteca


León Ferrari

Poéticas e políticas, 1954-2006


" Em sua obra é constante a tensão entre o poético e o político. Entre ambos se define uma zona fronteiriça, onde se encontram a sensualidade e uma violência evidente ou velada. Um dispositivo latente, que se expressa na tensão entre a beleza e a pertubação, ativa a força inesgotável e renovadora que atravessa toda sua obra." Andrea Giunta- curadora.

Ao meu ver uma exposição imperdível. Para mim foi uma surpresa, por não conhecer esse artista, e deparar-me com expressões poéticas e polêmicas em suas criações, explorando a possibilidade dos planos, dos espaços e dos significados dos desenhos, onde esculturas, colagens e objetos se misturam. Nelas emprega metais, tintas, heliografias, nanquim, excrementos ou relevos em brailles. Uma exposição que importa para nós do grupo como formas de expansão do olhar.

13 de outubro de 2006

acantos

acantos

Divagações sobre o tempo

O poeta mato-grossense, Manoel de Barros disse: “ dentro do corpo de cada molusco mora um matemático invisível. Jogando o jogo-do-bocó, que aprenderam no “livro sobre o nada”, também de sua autoria. E eu, preocupada com o tempo, digo: “os caramujos, as conchas e todos os seres que habitam os oceanos, me causam transtornos metafísicos, eles me fazem pensar sobre o mistério do universo. Acho, por exemplo, que as conchas são seres vaidosos, com suas vestes coloridas e excêntricas.
Elas se vestem de areia colorida, de várias.... várias tonalidades, atualizadas no tempo e no espaço; misturam ocre ao açafrão, do azul anil ao lilás de cetim, do amarelo as pintas de gris de payne, sem nenhuma cerimônia, e por isso além de serem matemáticos, como disse o poeta, são matemáticos e artistas, felizes em tecer de mil maneiras suas formas de ar e plumas.

JGS

29.4.03

7 de outubro de 2006





" Na pintura, conseque-se a representãção do tempo, dos breves fragmentos do tempo, onde conta-se uma história.
O gesto, a cor, o pincel, a luz e a sombra: indícios do que temos para abrir-se nesta contrução.

A poética se faz desta distância do objeto. Da solidão em se pintar, do olho que lê e transfigura a própria representação "

Sergio Fingermann

( anotações de aulas teóricas - 3/08/04)

5 de outubro de 2006

Comentários Anete


Ata-contraponto comenta:


“Uma vista breve de campo, por cima de um muro dos arredores, liberta-me mais completamente do que uma viagem inteira libertaria outro. Todo ponto de visão é um ápice de uma pirâmide invertida, cuja base é indeterminável.” Fernando Pessoa em “ Livro do Desassossego “


Ata- contraponto comenta:

Outubro/ 04/ 06

Conversamos hoje no ateliê sobre a proposta de buscar textos, músicas, imagens, filmes, cheiros, memórias, que nos ajudem a aprofundar nossas buscas.
Encontrei este texto do Fernando Pessoa, e senti uma imediata sintonia, relacionada a questão da distância que permeia minhas buscas.
Compartilho com vocês.



Ata-contraponto comenta:


Queremos nos propor a criar 8 perguntas que possam orientar uma nova série de encontros com artistas.
Questões para orientar o olhar.

- a poética
- os temas
- as afinidades,
- os contrastes,
- as referências
- os agrupamentos
- o território / a topologia
- a imagem e a emergência

E incluir uma 9 ª questão: “ em que momento se faz o ver”

- na inquietude e quietudes
- nas pausas e silêncios
- nos sucessivos fracassos

4 de outubro de 2006

Reflexão

Procurando ampliar nossa discussão sobre “o que é arte” dentro da possibilidade de buscar o “foco”, como nos alerta Sergio Fingernann, seja nas exposições teóricas sobre o assunto, seja em nosso trabalho artístico ; dizendo ele que : “toda arte é uma forma de verdade”, e verdade esta que corresponde a individualidade que cada um conquista em seu trabalho.
E, se toda busca está inserida na maneira singular de ver as coisas, onde anexamos territórios, por vezes já explorados, e por vezes ainda a serem ditos, lembrei-me de um trecho do Livro do Saramago ( Manual da Pintura e Caligrafia), indicado por Sergio a um tempo atrás, que ao meu ver reforça a idéia desta busca de identidade que nos acompanha o fazer na arte, onde ele diz: .

“ A tela branca, lisa, ainda, sem preparo, é uma certidão de nascimento por preencher, onde eu julgo ( amanuense de registro civil sem arquivo) que poderei escrever datas novas e filiações diferentes que me tirem, de vez, ou ao menos por uma hora, desta incongruência de não nascer. Molho o pincel e aproximo-o da tela, dividido entre a segurança das regras aprendidas no manual e a hesitação do que irei escolher para ser”.

Portanto, manter o” foco” e não a “dispersão” é encontrar-se nesta identidade, onde nascem as dúvidas, as incertezas, e um tentar que acrescenta uma reflexão: qual é a verdade de uma pintura?.

Juracy Giovagnoli

Agosto 2006
Anete Ring

A narrativa se produz através de sucessivas camadas, cada qual produzida com grande esgarçamento, sempre deixando claros os vestígios das anteriores, sem embaçar.
Sobre a cor quente, a cor fria: sobre a opacidade, a transparência. Incessantes diálogos que revelam as insuficiências e as impossibilidades de gerar a expressão através de um único ato heróico .
São as sucessivas tentativas e fracassos que expõe o que é inerente a arte, a temporalidade; o seu aspecto ilusório, incompleto, onde há espaço para a interlocução, onde há certezas, território impalpável e construído do silêncio e das pausas. ( estas palavras referem-se a pensamentos surgidos em diversas sessões, pensamentos trazidos por Sérgio Fingerman e discutidos com o conjunto dos participantes do ateliê).

Comentário sobre a Narrativa na pintura
Palestra Cristiano Mascaro e Sergio Fingermann

12 de Setembro 06



Sergio Fingermann: “ O conjunto das fotografias de Cristiano Mascaro, nos faz ver o olhar do pensamento. Cada fotografia nos propõe uma intensificação de sua relação com os outros e com o mundo.

É uma busca ( no – do) imediato.

Contemplam-nos com um saber que se revela nessa proximidade. É um saber que não pode ser reduzido à significados, mas que nos faz atravessar, nos movermos, mais além da significação.

Se não atravessarmos a aparência das coisas permaneceremos prisioneiros da evidencia fácil, isto é, a realidade imediata.”


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Luz e Sombra

Algumas questões


Até agora acreditou-se ver mais as luzes do que as sombras.

O jogo das duas trabalha reminiscências.
O jogo das duas trama o tecido da memória.
O jogo das duas constrói os esquecimentos e alguns esclarecimentos.

Esse jogo produz uma realidade frágil e preciosa que chamamos imagem.
Esse jogo é ponte para um sonhar.

De onde vem o mistério?

A fotografia, assim como a pintura, nos conduz a ver um outro mundo.
Descortinam-se possibilidades para o estranho, os assombros, as impossibilidades, as insignificâncias.

Território de ilusões.
Lá, as coisas e pessoas estão imobilizadas em estado de atenção.
Lá, aquilo que se representa está destinado a um olhar.
Lá, as luzes duplicam, multiplicam as sombras, fazendo, numa espécie de mágica, as coisas parecerem mais densas e mais concretas do que elas mesmas.
Lá, pode-se brincar com as três dimensões em duas.

O fotógrafo, assim como o pintor, deseja ser um olhar e uma ação.
Que inteligência liga sua visão ao mundo?
Com quais artifícios, com qual teatralidade capta os sinais de uma vida?

Silêncio.
É preciso se evitar barulhos.
É preciso que se evitem também os barulhos das palavras, que muitas vezes vêm ocupar o lugar do olhar.
( Em relação à luz, as palavras são sombras)

É preciso se preservar uma certa autonomia da representação visual, fazendo-se assim preservar o lugar do visível, desviando-se das artimanhas e dos artifícios do discurso.
É preciso um saber olhar para captar e desfrutar das sensações semelhantes que surgem com e das imagens. É preciso ainda fazer, no engano que elas carregam, nos seus equívocos, a construção de nossos falsos e frágeis entendimentos.

Se as palavras são sombras, em que língua é possível dizer o que nos acontece?
As luzes e as sombras fazem ver o sensível na imagem.
Fazem ver o sensível da imagem.
Fazem ver as qualidades expressivas da coisa representada.
Toma os objetos sensíveis à visão.

Todo pintor, assim como todo fotógrafo, sabe que qualquer objeto possui sua própria dignidade e cabe ao artista restituí-la. Todo acontecimento é solene.

Às vezes, as luzes brincam, trocam a natureza das coisas. Às vezes trocam seus lugares. Mesclam, investem, mudam o lugar natural delas.
A luz interpreta mística ou esteticamente a percepção.
Às vezes, com a luz, temos a força de uma evidência.
A luz parece pensamento.

O claro-escuro dá às regras, as condições para o jogo das imagens.
Com este jogo, o fotógrafo, o pintor consegue imitar a aparência das cores. Todos nós já vimos que em certos dias, de muita claridade, pelas manhãs em geral, sob a luz, as formas, as sombras se retraem. Quando o sol está a pino elas são como que engolidas pelo chão. E à tarde, já se aproximando do fim do dia, as sombras crescem, dissolvendo-se na noite, seguindo os seus passos.

Os mais inquietos se questionam:

Será a noite a soma de todas as sombras?
Será que o tempo não tem perdas?
Será que uma mesma luz iluminava outros tempos?

Vejo ou me lembro?
Quando tomo consciência disso percebo que outras lembranças se interpõem no momento mesmo que estou vendo alguma coisa.
É comum ver o que se sabe.
Mas às vezes, outras memórias nos assombram...
Outras memórias vêm nos lembrar e se interpõem, dificultando ver o que surge, o que está diante de nós.

Ver pode ser uma experiência de encantamento.
Ver pode ser uma alegria intelectual.

Novamente o silêncio:

Olhar é uma experiência solitária.
Devemos enfrentar as seduções dos objetos sem auxílios.
Suportar as incertezas.
Suportar seu discurso só pode ser dito na sua própria língua ( da fotografia, da pintura).

O seu silêncio é feito de signos visuais.

Já disseram:

“A pintura é poesia muda”.
A fotografia também o é.
“O discurso sobre a pintura tenta dizer o discurso da pintura, manifestando um discurso na pintura”.

O que tece as representações?
O que nutre seus mistérios?
De que outras vidas a fotografia e a pintura supõe?
De que são feitos os silêncios das fotografias de Cristiano Mascaro?


Sergio Fingermann




O debate entre Cristiano Mascaro e Sergio Fingermann: - “ A interpretação das cidades” , foi realizado no Museu da Casa Brasileira. A forma, a composição, a luz e a sombra foram alguns dos temas abordados nesta reflexão.
Agosto06

Ata –

Referencia: Assistir o filme Estamira
Exposição do Banco Real na Av. Paulista
Exposição “ Pinceladas “ no Instituto Tomie Otake até 24 de setembro


“Narrativa na pintura: é sempre uma questão metafísica e deve sofrer tensões, o esgarçamento das camadas.

A cor precisa ter sessões anteriores – o pintar como experiência de territórios ( não entupir a pintura).

Até a noite contêm claridade” -

O mais escuro no trabalho é inominável. Sempre é aquilo que não se mostra e não se esclarece.

Procurar a distância que promove a solidão, os caminhos que interagem neste processo.

O escuro não se mostra.”

Aula proferida por Sergio Fingermann
Ata

Contribuições para a formalização do olhar

Contextualizar:

- aprofundamento do processo de arte

- foco e não dispersão do tema abordado nos trabalhos

- Exposições: saber que deve conter uma explicação da tese do curador e ter um olhar observador para perceber se ela é verdadeira e respeita o fio condutor

- Definição do que é arte- se ela contêm num primeiro momento a sua expressão espontânea e num segundo momento o fenômeno plástico como conseqüência desta expressão para atingir a sua humanidade como obra em seu conteúdo.

- A diferença entre grafite e pixação. Sendo o grafite um fenômeno sociológico plástico e a pixação uma transgressão.

- Questionamento da apropriação que as galerias fazem atualmente sobre esta finalidade de arte, ou seja do grafite.

- Proposta de criar a educação do olhar: localizar o assunto nos trabalhos – procurar método .

- Fazer uma junção posterior em “ capítulos “ – pensar a temática em função da educação do olhar.

- Refletir posteriormente no conjunto destas falas.


Aula proferida por Sergio Fingermamm em 23 de agosto de 2006

8 de setembro de 2006

Do desenho

Jean-Auguste Dominique Ingres


O desenho é a probidade da arte.
Desenhar não quer dizer simplesmente reproduzir contornos; o desenho não consiste meramente no traço: é também a expressão, a forma interior, o plano, o modelado! Vejam o que resta depois disso! O desenho compreende os três quartos e meio daquilo que constitui a pintura. Se eu fosse pôr uma tabuleta em cima da minha porta, escreveria: “Escola de desenho”, e estou certo de que formaria pintores.

O desenho compreende tudo, com exceção do matiz.
É preciso desenhar sempre, desenhar com os olhos quando não se pode desenhar com o lápis. Enquanto vocês não fizerem a inspeção de caminhar a par com a prática, não farão nada de realmente bom.

O pintor que se fia em seu compasso apóia-se num fantasma.
Que não se passe um único dia sem traçar uma linha, dizia Apeles. Ele queria dizer com isso, e eu mesmo lhes repito: a linha é o desenho, a linha é tudo.

Se eu pudesse torná-los todos músicos, vocês ai ganhariam como pintores. Tudo é harmonia na natureza : um pouco a mais, um pouco a menos altera a gama e provoca uma nota falsa. É preciso conseguir ter afinação com o lápis ou o pincel tanto quanto com a voz; a exatidão das formas é como a afinação dos sons.

Ao estudar a natureza, só tenham olhos inicialmente para o conjunto. Interroguem-no e apenas a ele. Os detalhes são minúcias pouco importantes que é preciso reduzir pela força. A forma ampla e tão ampla! A forma é o fundamento e a condição de tudo: até a fumaça deve ser expressa pelo traço .
Vejam no modelo as relações de grandezas; é ai que está todo o caráter. Sejam vivamente tocados por elas, e, também vivamente, tornem essas grandezas relativas. Se, em vez de seguir este método, vocês tatearem, se buscarem na teoria, não farão nada que valha. Tenham inteira nos olhos, no espírito, a figura que querem representar, e que a execução seja apenas a realização dessa imagem já possuída e preconcebida.

Ao traçar uma figura, procurem antes de tudo determinar, e bem caracterizar, seu movimento. Eu não saberia muito bem lhes repetir, o movimento é a vida.

Não economizem tem nem esforços para chegar à pureza da expressão, à perfeição do estilo. Sirvamo-nos, para nos corrigir sem cessar, até mesmo da facilidade que podemos ter. Malberbe, dizem, trabalhava com uma lentidão prodigiosa: sim, porque ele trabalhava para a imortalidade.

É preciso fazer desaparecer os rastros da facilidade; são os resultados e não os meios empregados que devem aparecer. É preciso fazer uso da facilidade desprezando-a; porém, apesar disto, quando se gasta cem mil francos, é preciso ainda se divertir por dois vinténs.
Quanto mais simples são as linhas e as formas, tanto mais beleza e força há. Todas as vezes que vocês dividem as formas, enfraquecem-nas. Isto se dá como com o fracionamento em todas as coisas.

Por que não se faz caráter grande? Porque em vez de uma forma grande, fazem-se três pequenas.

Quando as linhas principais não estão antes de tudo no caráter, só conseguimos produzir semelhanças duvidosa.

Na construção de uma figura, não procedam por pedaços. Conduzam tudo ao mesmo tempo, e, como se diz muito bem, desenhem “ o conjunto”.
Não se deve tentar aprender a fazer um belo caráter: é preciso encontrá-lo em seu modelo.

As formas belas são planos retos com redondezas. As formas belas são aquelas que têm firmeza e plenitude, em que os detalhes não comprometem o aspecto das grandes massas.

É preciso dar saúde à forma.

O completo da forma está no acabamento. Há pessoas que se contentam, no desenho, com o sentimento, este, uma vez expresso, lhes basta. Rafael e Leonardo da Vinci estão aí para provar que sentimento e precisão podem se aliar. Os grandes pintores, como Rafael e Michelangelo, insistiram no traço para o acabamento. Repetiram-no com um pincel fino, reanimando assim o contorno; imprimiram em seu desenho o nervo e a fúria.

Nós não procedemos materialmente como os escultores, mas devemos fazer pintura escultórica.

Um pintor tem bastante razão em se preocupar com a delicadeza, mas deve aí acrescentar a força, que não a exclui, longe disto. Toda a pintura está no desenho ao mesmo tempo forte e delicado. Ela está apenas aí, por mais que se diga o contrário; num desenho firme, soberbo, caracterizado, mesmo se tratando de um quadro que deva impressionar pela graça. Só a graça não basta, o desenho polido tampouco. É preciso ainda mais: é preciso que o desenho amplifique, que envolva.

Há sempre benefício, quaisquer que possam ser aliás os defeitos, numa obra em que a cabeça comandou a mão. É preciso que isto fique perceptível, mesmo nas tentativas de um iniciante. A habilidade da mão se adquire por meio da experiência; mas a retidão do sentimento, da inteligência, eis o que pode se mostrar de saída, e eis também, numa certa medida, o que faz as vezes do resto.

Desenhem puramente, mas com amplidão. Puro e amplo; eis aí o desenho, eis aí a arte. Desenhem muito antes de pensar em pintar. Quando se constrói sobre um sólido fundamento, dorme-se tranqüilo.

A expressão na pintura exige uma ciência do desenho bastante grande; pois a expressão não pode ser boa se não foi formulada com justeza absoluta. Apreende-la apenas pela metade, é perdê-la, é representar somente pessoas falsas que se esforçariam por imitar sentimentos que não sentem. Só se pode chegar a essa extrema precisão pelo mais seguro talento no desenho. Do mesmo modo, os pintores de expressão, entre os modernos, foram os maiores desenhistas. Vejam Rafael!

A expressão, parte essencial da arte, está portanto intimamente ligada à forma. A perfeição do colorido é aí tão pouco requerida que os excelentes pintores de expressão não tiveram, como coloristas, a mesma superioridade. Acusa-los disto é não conhecer suficientemente as artes. Não se pode pedir ao mesmo homem qualidades contraditórias. Aliás, a presteza de execução de que a cor necessita para conservar todo seu prestígio não combina com o estudo que a grande pureza das formas exige.

.... Num quadro, é preciso que a luz caia em algum lugar com força e que a atenção do espectador seja atraída para esse ponto. O mesmo ocorre numa figura em que o efeito deve irradiar de um ponto central; é isto que causa as gradações. Para a forma, é preciso também que um grande trecho dominando todo o resto se aposse primeiramente do olhar; este é um dos elementos principais do caráter no desenho.

Para chegar à bela forma, não se deve proceder por um modelado quadrado ou anguloso; é preciso modelar redondo, e sem detalhes internos aparentes.

Quando se tem uma única figura no quadro, é preciso modelá-la em rondebosse ( em pleno relevo) e buscar assim seu efeito pictórico.

Tenham sempre uma caderneta no bolso e anotem em poucas linha rápidas a lápis, os objetos que lhes chamam a atenção, se não tiverem tempo de indicá-los por inteiro. Mas se têm tempo de fazer um croqui mais preciso, apropriem-se do modelo com amor, considerem-no e o reproduzam sob todas as formas, de maneira a alojá-lo em suas cabeças, a que se incrustem nelas como propriedades de vocês.

Faço questão que se conheça bem o esqueleto, porque os ossos formam a estrutura do corpo, cujas extensões determinam, e eles são para o desenho pontos contínuos de referência. Importo-me menos com o conhecimento anatômico dos músculos. Ciência em demasia nesses casos prejudica a sinceridade do desenho e pode desviar da expressão característica para conduzir a uma imagem banal da forma. É preciso entretanto observar a ordem e a disposição relativa dos músculos, a fim de evitar, também desse lado, os erros de construção. Esses músculos são todos meus amigos: mas não conheço nenhum deles por seu nome. Os contornos externos nunca se curvam para dentro. Ao contrário, eles abaúlam, como uma cesta de vime. ...A cabeça e o pescoço nunca se alinham: formam sempre duas linhas descontínuas. Numa cabeça, a primeira coisa para o artista é fazer os olhos falarem, a não ser que se indique apenas sua massa.... É preciso seguir esse exemplo ao pé da letra e banir os manequins, exceto para os retratos, e também somente para esses enfeites de mulher que requerem um acabamento detalhado. Portanto, nada de manequim. Uma vez encontrado um belo motivo de planejamento, é preciso adaptá-lo à natureza....







Pessoal:
Gostei muito de uma apostila sobre Desenho que a Marina me emprestou , e resolvi
trancrevê-los , compilando alguns trechos para o grupo. Vale a pena ler .

Bjs Juracy

Setembro 06

4 de setembro de 2006

releituras teóricas das contribuições coletivas